INFOFPAS – Principais Conclusões do 1º Fórum Aberto da FPAS (28/09/2013) e do 2º Fórum Aberto da FPAS (26/10/2013)

Apresento o resumo dos dois Fóruns Abertos da FPAS (FAb), sendo que passando o primeiro e segundo, seguimos agora para o terceiro.

O primeiro FAb decorreu em Lisboa com a colaboração da Associação Portuguesa de Surdos (APS), teve como moderador Pedro Costa, Presidente da Direção da FPAS, e recebeu quarenta inscritos. Dando início, foram apresentados os objetivos, a visão, a missão, os princípios e os valores da FPAS e falou-se também sobre o acontecimento da FPAS desde o início do mandato deste Presidente. Logo a seguir, o tema central foi aberto por Amílcar Morais, Secretário da Direção da FPAS, que apresentou a partir de uma minoria da Língua Gestual através da identidade. Se procurarmos no dicionário a palavra “Surdo”, o que surge é que é alguém que não ouve nem fala oralmente e, como tal, a sociedade lê esta definição e podem pensar que as Pessoas Surdas são limitadas. Qual é a definição desta limitação? Esta definição publicada nos dicionários deveriam ser alterados, mas como? Este Fórum deve discutir para clarificar e depois elaborar um novo conceito, que deve ser enviado para as editoras. Deve ser publicado um novo conceito que esteja de acordo com a Comunidade Surda. Uma minoria tem milhares de pessoas? Deverão ser poucas pessoas que não vivem juntas, mas separadas, e que vivem com um ambiente ouvinte. Se selecionarmos as Pessoas Surdas por um grupo, quantas Pessoas Surdas existem em Portugal ainda não sabemos. A FPAS recebeu informação através de uma instituição que existe a estimativa de existirem cerca de cento e sessenta mil pessoas com deficiência auditiva. E encontramo-nos todos neste número? Claro que não, deve ser raro. Por isso, falta recebermos os dados certos e específicos sobre as Pessoas Surdas. As Pessoas Surdas começaram quando? Nasceram quando? Como apareceram os Surdos? Foi há milhares de anos e depois aumentaram e dividiram-se, não só em Portugal, mas a nível internacional. Como tal, será difícil dar resposta a este número. Sobre a questão da minoria, é claro que não vemos as Pessoas Surdas às voltas e escondidas. Desta minoria nasce uma língua das pessoas que não ouvem, e como é possível produzir uma língua? Quando duas Pessoas Surdas se vêem, logo comunicam com as mãos, tal como os ouvintes ouvem e comunicam pela fala. Facilmente se transmitem as vias de comunicação, mas o contexto das duas modalidades de línguas é diferente, ou seja, a audição transmite-se pela fala e a visual transmite-se por gestos (gramática, sintaxe, semântica, etc.). São completamente diferente e não estão relacionadas. A vida diária da sociedade da língua falada (oralmente) é poderosa, o que tem a ver com a Língua Portuguesa ser reconhecida pelo país, pela educação, pela informação, pela sociedade, pela comunicação, pela publicidade, etc.. Ou seja, o uso da Língua Portuguesa está oficializado, transmite a cultura portuguesa, a vivência das pessoas e das vizinhanças, desenvolvendo uma herança cultural e transversal da identidade das pessoas com conhecimentos das datas festivas e da abrangência da identidade, da língua, entre outros. Pelo contrário, as Pessoas Surdas têm o reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa, mas por dentro será que existe fracasso pela falta de investigação e de quem investigue? Quem será a equipa da responsabilidade da investigação para reconhecer gramatica e o funcionamento da língua. Quem foi o primeiro que começou a ensinar a LGP, foi mesmo uma Pessoa Surda? Não, foi um ouvinte que ensinou e depois deixou crescer a LGP, como tal, será que a LGP é mesmo da Pessoa Surda ou não? Por isso faltava comprovar esta investigação, a LGP ainda não está bem divulgada no meio e falta visibilidade. Por isso existe desigualdade, falta uma definição clara e uma forma exata sobre a Cultura Surda e os acontecimentos e agenda parecem ser vazios. Quanto à identidade que não recebe a transmissão clara da cultura e da língua, torna-se duvidosa. Na vida da sociedade com ouvintes existe desigualdade. A sociedade observa as Pessoas Surdas que são rotuladas como pessoas deficientes. Por um lado, existe o grupo de deficientes, questionando-se se a Pessoa Surda é deficiente. Por outro lado, existe o grupo de minora étnica (cigana, mulheres, etc.) que não sente que as Pessoas Surdas são uma minoria. Em geral, as pessoas não conhecem o que é ser uma Pessoa Surda. Antigamente, em Portugal, a religião tinha muito poder e diziam que ser Surdo era um castigo pelos pecados contra Deus. Tudo começou a dividir-se, fomos rotulados para integrar a vida diária na sociedade e existe discriminação, desigualdade e exclusão, sendo que as Pessoas Surdas têm uma vida mais difícil devido a todas as barreiras que enfrentam. Como se eliminam as barreiras? Esta é uma discussão que falta definir.

A seguir, Jorge Rodrigues, Presidente da Direção da APS, apresentou um tema muito parecido e referiu que, antigamente havia um grupo Surdo “puro” que trabalhava, mas eram poucos. Reconhecem-se níveis diferentes como uma categorização, sendo que o grupo com nível baixo é o maior, onde existe dificuldade em reconhecer a identidade. O grupo “puro” que reconhece são poucos e facilmente desparecerá por falta de articulação com os outros dois níveis para divulgar mais.

O último orador foi o José Madeira Serôdio, Presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação, IP, que questionou qual a definição da igualdade. Existe um reconhecimento da LGP pela legislação (Constituição da República Portuguesa, sendo que esse foi um passo muito importante. Será difícil comparar com a língua mirandesa, já que é complicado haver referência. Considera que a LGP tem feito vários avanços e pode continuar a avançar. Sobre a experiência do INR, testemunhou que tem havido uma evolução da Comunidade Surda na conquista de vários aspetos, como por exemplo, o Gestuário, o acesso às universidades, etc. mas claro que ainda faltam aspetos. Deve-se continuar a lutar em conjunto. Deve-se dar importância às Pessoas Surdas que terminam a sua formação académica para se envolverem na sociedade que deve reconhecê-los e melhorar a colaboração para o desenvolvimento.

Por fim, Pedro Costa fez a sessão de encerramento e clarificou o que se passou com a Comunidade Surda em geral desde há algum tempo atrás até à atualidade, referindo que ainda falta trabalhar em várias medidas.

 

O segundo FAb foi no Porto, e teve como tema “A Interação das Pessoas Surdas e Ouvintes na Sociedade”, o que está ligado à ponte entre as Comunidades Surda e Ouvinte. Foram convidados três representantes: Armando Baltazar (Representante da Associação de Surdos do Porto), Filipe Venade (Diretor do Centro de Direitos Humanos das Pessoas Surdas da FPAS) e Pedro Costa (Presidente da Direção da FPAS). O Armando Baltazar falou sobre o conceito da interação, e como as Comunidades Surda e ouvinte devem mudar para que fique claro e então passar à interação. Antigamente, a Comunidade Surda mostrava como um trauma, o que criava barreiras. Isto deve-se alterar para definir o trabalho a par dos ouvintes. A forma de saber, as Pessoas Surdas deviam conhecer a forma de atitude para abrir portas. Pelo contrário, os ouvintes devem acabar com o preconceito, o “negativismo” de atitudes que deve ser corrigido para um “positivismo”. Deve-se criar uma forma de adaptação para interagir de modo a poder trabalhar na continuidade.

O Filipe Venade apresentou o tema como se podem formar ambas as atitudes para alterar algumas coisas para o entendimento. Demonstrou a importância de duas palavras: Alteridade – duas pessoas são difíceis de atender e cria-se afastamento, e Diversidade – vários tipos de pessoas atendem e deu exemplificação das medidas.

Por sua vez, o Pedro Costa testemunhou que tinha um sonho desde pequeno e que gostava de alcançar objetivos com dez dedos, tal como dez mandamentos, para conseguir os objetivos. Antes devia lutar até conseguir alcançar. Esta luta devia mostrar a visibilidade na sociedade, havendo uma alteração própria para depois poder juntar à sociedade e avançar. A isto chama-se igualdade de oportunidades.

Em termos gerais, este segundo FAb, no Porto, teve sessenta e quatro inscritos (Surdos e ouvintes).

Esperamos que o terceiro FAb, que se vai realizar em Leiria no dia 30 de novembro, tenha também sucesso! Encontramo-nos lá. O programa do próximo FAb está no site da FPAS. Boa sorte e encontramo-nos lá!